A lateral de um campo de futebol é o habitat natural de Jorginho. Por ali, construiu uma carreira vitoriosa, chegou à seleção brasileira, ganhou Copa do Mundo. Por ali, estreou no comando do Flamengo, nesse sábado, diante do Boavista.
Gritou, gesticulou, cruzou os braços, descruzou, ficou debaixo de chuva, mas não evitou um 0 a 0 decepcionante, que resultou em uma trilha sonora nada agradável em seu reencontro com o torcedor rubro-negro 24 anos depois: vaias.
Se ao sair do vestiário logo se refugiou no banco de reservas, onde atendeu pacientemente a imprensa, bastou a bola rolar para o treinador deixar o local e não voltar mais.
Em pé, assistiu a todo o primeiro tempo bem próximo dos jogadores, que atacaram para seu lado. Com as mãos, tentava passar sua mensagem a todo instante e não se privava de recados mais curtos para quem passava por perto. Rafinha e João Paulo foram os alvos mais comuns da etapa inicial.
Já o lateral-esquerdo recebeu um alerta após vacilar na marcação a Leonardo, que atacava em seu setor. O Flamengo já tinha retomado a posse de bola quando Jorginho chamou o camisa 6 e fez sinal com as mãos, como que dissesse: “Cuidado com a bola nas costas”.
Nos 20 minutos finais, choveu forte no Engenhão. Jorginho nem ligou. Sem sequer pegar um agasalho, o treinador ficou ali, na linha lateral, alternando braços cruzados, mãos na cintura ou para trás. A espera pelo gol que fizesse repetir o 1 a 0 de sua estreia como jogador, em julho de 1984, contra o Botafogo, entretanto, não surgiu. Após 90 minutos do outro lado da linha lateral, o treinador desceu para o vestiário frustrado... e molhado.
Fonte : Globoesporte

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